DIFICULDADES NA AVALIAÇÃO INICIAL: A DIFERENCIAÇÃO DA QUEIMADURA DE 3º GRAU

Autores

  • Anita Marialva Meireles Alves Rondon Autor
  • Ana Paula Fernandes Kainaki Autor
  • Ana Beatriz Pires Moreira Autor
  • Gabriella Lara Silva Santos Autor
  • Nilson Hitoshi Yoshimoto Autor
  • Enzo Ponte Souza Riccio Autor
  • Taina Crisostomo Nunes Autor
  • Gotardo Duarte Dumaresq Filho Autor
  • Thiago Matos de Freitas Autor

DOI:

https://doi.org/10.56238/MedCientifica-126

Palavras-chave:

Queimadura de 3º Grau, Avaliação Inicial, Diferenciação Diagnóstica, Método Delphi

Resumo

As queimaduras constituem um importante problema de saúde pública, sendo a profundidade da lesão o principal determinante do prognóstico e da conduta terapêutica. Nesse contexto, a diferenciação entre queimaduras de espessura parcial profunda e de espessura total (3º grau) representa um dos maiores desafios na avaliação inicial, especialmente devido ao caráter dinâmico da lesão, que pode evoluir nas primeiras 48 a 72 horas após o trauma (HEYLAND et al., 2022; IBRAHIM et al., 2025). O presente estudo tem como objetivo analisar as dificuldades diagnósticas na identificação precoce das queimaduras de 3º grau, bem como os critérios clínicos, histológicos e metodológicos utilizados para sua diferenciação. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura baseada em artigos recentes, selecionados em bases indexadas, com foco na análise crítica das evidências disponíveis sobre o tema. Os achados indicam que a avaliação clínica isolada apresenta limitações relevantes, uma vez que sinais clássicos de profundidade, como aspecto coriáceo e ausência de sensibilidade, podem surgir tardiamente, não refletindo imediatamente o real grau de dano tecidual (CHEN et al., 2022; IBRAHIM et al., 2025) . Em termos histológicos, as queimaduras de 3º grau caracterizam-se por necrose que acomete toda a derme e se estende ao tecido subcutâneo e estruturas mais profundas, diferindo significativamente das lesões de 2º grau, nas quais o dano permanece mais superficial (IBRAHIM et al., 2025). Além disso, fatores sistêmicos, como o diabetes mellitus, podem alterar a resposta inflamatória e a microcirculação, dificultando ainda mais a interpretação clínica e mascarando a real profundidade da lesão (ARAI et al., 2024) . Nesse cenário, métodos padronizados, como o uso de modelos experimentais e a aplicação do método Delphi, têm sido propostos para reduzir a subjetividade diagnóstica e aumentar a precisão na identificação precoce das lesões de espessura total (CHEN et al., 2022). Do ponto de vista terapêutico, o reconhecimento precoce das queimaduras de 3º grau é essencial para a definição do manejo adequado, uma vez que essas lesões frequentemente requerem intervenção cirúrgica com enxertia cutânea. Estratégias adjuvantes, como o uso de curativos biológicos associados à sulfadiazina de prata, demonstram potencial em otimizar o preparo do leito para enxertia e acelerar a cicatrização, embora intervenções metabólicas isoladas, como a suplementação com glutamina, não tenham demonstrado impacto significativo em desfechos clínicos relevantes (KHODADAD et al., 2024; HEYLAND et al., 2022; OAKS; CINDASS, 2023). Conclui-se que a diferenciação precoce das queimaduras de 3º grau permanece um desafio clínico relevante, exigindo a integração de critérios clínicos, histológicos e métodos padronizados. A identificação acurada da profundidade da lesão é fundamental para orientar o tratamento, reduzir complicações e melhorar os desfechos clínicos e funcionais dos pacientes queimados (MCCOOL et al., 2024).

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Publicado

2026-03-27

Como Citar

Rondon, A. M. M. A. ., Kainaki, A. P. F. ., Moreira, A. B. P. ., Santos, G. L. S. ., Yoshimoto, N. H. ., Riccio, E. P. S. ., Nunes, T. C. ., Dumaresq Filho, G. D. ., & de Freitas, T. M. . (2026). DIFICULDADES NA AVALIAÇÃO INICIAL: A DIFERENCIAÇÃO DA QUEIMADURA DE 3º GRAU. Anais Eventos. https://doi.org/10.56238/MedCientifica-126