DIFICULDADES NA AVALIAÇÃO INICIAL: A DIFERENCIAÇÃO DA QUEIMADURA DE 3º GRAU
DOI:
https://doi.org/10.56238/MedCientifica-126Keywords:
Queimadura de 3º Grau, Avaliação Inicial, Diferenciação Diagnóstica, Método DelphiAbstract
As queimaduras constituem um importante problema de saúde pública, sendo a profundidade da lesão o principal determinante do prognóstico e da conduta terapêutica. Nesse contexto, a diferenciação entre queimaduras de espessura parcial profunda e de espessura total (3º grau) representa um dos maiores desafios na avaliação inicial, especialmente devido ao caráter dinâmico da lesão, que pode evoluir nas primeiras 48 a 72 horas após o trauma (HEYLAND et al., 2022; IBRAHIM et al., 2025). O presente estudo tem como objetivo analisar as dificuldades diagnósticas na identificação precoce das queimaduras de 3º grau, bem como os critérios clínicos, histológicos e metodológicos utilizados para sua diferenciação. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura baseada em artigos recentes, selecionados em bases indexadas, com foco na análise crítica das evidências disponíveis sobre o tema. Os achados indicam que a avaliação clínica isolada apresenta limitações relevantes, uma vez que sinais clássicos de profundidade, como aspecto coriáceo e ausência de sensibilidade, podem surgir tardiamente, não refletindo imediatamente o real grau de dano tecidual (CHEN et al., 2022; IBRAHIM et al., 2025) . Em termos histológicos, as queimaduras de 3º grau caracterizam-se por necrose que acomete toda a derme e se estende ao tecido subcutâneo e estruturas mais profundas, diferindo significativamente das lesões de 2º grau, nas quais o dano permanece mais superficial (IBRAHIM et al., 2025). Além disso, fatores sistêmicos, como o diabetes mellitus, podem alterar a resposta inflamatória e a microcirculação, dificultando ainda mais a interpretação clínica e mascarando a real profundidade da lesão (ARAI et al., 2024) . Nesse cenário, métodos padronizados, como o uso de modelos experimentais e a aplicação do método Delphi, têm sido propostos para reduzir a subjetividade diagnóstica e aumentar a precisão na identificação precoce das lesões de espessura total (CHEN et al., 2022). Do ponto de vista terapêutico, o reconhecimento precoce das queimaduras de 3º grau é essencial para a definição do manejo adequado, uma vez que essas lesões frequentemente requerem intervenção cirúrgica com enxertia cutânea. Estratégias adjuvantes, como o uso de curativos biológicos associados à sulfadiazina de prata, demonstram potencial em otimizar o preparo do leito para enxertia e acelerar a cicatrização, embora intervenções metabólicas isoladas, como a suplementação com glutamina, não tenham demonstrado impacto significativo em desfechos clínicos relevantes (KHODADAD et al., 2024; HEYLAND et al., 2022; OAKS; CINDASS, 2023). Conclui-se que a diferenciação precoce das queimaduras de 3º grau permanece um desafio clínico relevante, exigindo a integração de critérios clínicos, histológicos e métodos padronizados. A identificação acurada da profundidade da lesão é fundamental para orientar o tratamento, reduzir complicações e melhorar os desfechos clínicos e funcionais dos pacientes queimados (MCCOOL et al., 2024).