A COBRANÇA EXCESSIVA DO USO DE PLATAFORMAS DIGITAIS NA REDE ESTADUAL DE SÃO PAULO: REFLEXÃO A APARTIR DA PLATAFORMA EDUCATION FIRST
DOI:
https://doi.org/10.56238/CONEDUCA-142Palabras clave:
Tecnologia Educacional, Ensino de Língua Inglesa, Plataformas DigitaisResumen
A tecnologia digital está cada vez mais presente no contexto educacional, sendo incorporada às práticas pedagógicas como forma de ampliar as possibilidades de ensino e aprendizagem, especialmente diante das demandas contemporâneas por metodologias mais dinâmicas e interativas. No ensino de Língua Inglesa, plataformas digitais têm sido utilizadas com o objetivo de desenvolver habilidades linguísticas como escuta, fala, leitura e escrita, aproximando os estudantes de práticas comunicativas mais contextualizadas e alinhadas ao uso social da língua. Nesse cenário, a plataforma Education First (EF) foi implementada na rede estadual de São Paulo com a finalidade de apoiar o ensino do inglês por meio de recursos digitais e atividades interativas. Entretanto, o uso obrigatório da ferramenta, associado à cobrança constante por indicadores de desempenho classificados como “verde”, “amarelo” ou “vermelho”, tem gerado pressão significativa sobre o trabalho docente. Esses dados são acompanhados e monitorados institucionalmente por meio da plataforma Escola Total, o que reforça uma lógica de controle, responsabilização e cumprimento de metas, muitas vezes desvinculada das reais condições de ensino e aprendizagem. Diante disso, o presente resumo expandido tem como objetivo relatar e refletir criticamente sobre a experiência do uso da plataforma Education First no ensino de Língua Inglesa, destacando tanto sua importância pedagógica quanto os impactos da cobrança excessiva sobre o trabalho docente e sobre o processo de aprendizagem dos alunos. Trata-se de um relato de experiência desenvolvido a partir da atuação de uma professora da rede estadual de ensino, considerando o contexto das aulas, o perfil dos estudantes, as limitações estruturais das escolas, como acesso à internet e equipamentos, além de aspectos pedagógicos e organizacionais que interferem no uso efetivo da tecnologia. Observou-se que, embora a plataforma contribua para tornar as aulas mais atrativas e favoreça o contato dos alunos com a língua inglesa, a pressão por resultados quantitativos pode comprometer a autonomia docente e o uso pedagógico consciente da ferramenta. Conclui-se que, apesar do potencial pedagógico e da relevância da plataforma para o ensino do inglês, seu uso deve respeitar a realidade escolar e o papel do professor, para que a tecnologia atue como instrumento de apoio ao ensino, e não como mecanismo de controle do trabalho docente.