ARBOVIROSES NO BRASIL: FATORES DETERMINANTES DA PERSISTÊNCIA EPIDEMIOLÓGICA E LIMITAÇÕES NAS ESTRATÉGIAS DE CONTROLE
DOI:
https://doi.org/10.56238/MedCientifica-139Palabras clave:
Arboviroses, Dengue, Saúde Pública, Controle Vetorial, EpidemiologiaResumen
As arboviroses, especialmente dengue, Zika e chikungunya, representam um dos principais desafios contemporâneos da saúde pública no Brasil, caracterizando-se por elevada incidência, recorrência de surtos e ampla distribuição territorial. Em 2023, o país registrou mais de 1,6 milhão de casos prováveis de dengue, evidenciando a magnitude do problema. Apesar de décadas de esforços no controle vetorial, observa-se a persistência dessas doenças, indicando limitações nas estratégias adotadas. O presente estudo tem como objetivo analisar os fatores determinantes da manutenção do ciclo epidemiológico das arboviroses no Brasil, bem como discutir as limitações das medidas de controle implementadas. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, baseada em dados epidemiológicos e estudos científicos nacionais e internacionais. Os achados demonstram que o Brasil concentra uma parcela significativa dos casos globais de dengue, com ciclos epidêmicos recorrentes. A disseminação do Aedes aegypti é favorecida por condições climáticas tropicais, com temperaturas entre 25°C e 30°C ideais para proliferação do vetor, além de fatores como urbanização desordenada e deficiência no saneamento básico. Estima-se que mais de 70% dos criadouros do mosquito estejam em ambientes domiciliares, o que dificulta o controle exclusivamente institucional. Além disso, estratégias tradicionais baseadas no uso de inseticidas e eliminação de focos apresentam eficácia limitada, sobretudo diante da crescente resistência do vetor e da dificuldade de adesão contínua da população às medidas preventivas. Conclui-se que a persistência das arboviroses no Brasil está relacionada a um conjunto de fatores estruturais, ambientais e sociais, sendo necessária a reformulação das estratégias de controle, com enfoque integrado, intersetorial e sustentável.