EXERCÍCIOS DE MUSCULAÇÃO DESCALÇO VERSUS CALÇADO: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA SOBRE BENEFÍCIOS E MALEFÍCIOS PARA AGACHAMENTO E AFUNDO
DOI:
https://doi.org/10.56238/MultiCientifica-061Palabras clave:
Treinamento Resistido, Exercício Descalço, Agachamento, Afundo, BiomecânicaResumen
Contexto: A prática de exercícios de musculação descalço tem ganhado popularidade, com defensores argumentando benefícios como melhor propriocepção e estabilidade. No entanto, há controvérsias sobre os reais benefícios e potenciais riscos desta prática, especialmente para exercícios fundamentais como agachamento e afundo. Objetivo: Identificar, avaliar criticamente e sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre os benefícios e malefícios da prática de exercícios de musculação descalço, com foco específico em agachamento e afundo, em comparação com a prática calçada. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática seguindo as diretrizes PRISMA. Buscas foram conduzidas nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Scopus, Web of Science, SciELO, LILACS, SPORTDiscus, Cochrane Library e Google Acadêmico, utilizando termos relacionados a exercícios descalços, agachamento, afundo e desfechos relevantes. Foram incluídos estudos experimentais, ensaios clínicos e revisões sistemáticas publicados entre 2010 e 2025, em português, inglês ou espanhol, que compararam exercícios descalços com calçados. A qualidade metodológica foi avaliada utilizando as escalas PEDro, AMSTAR-2 e ROBINS-I. Os dados foram sintetizados narrativamente por categorias de desfechos. Resultados: Dez estudos atenderam aos critérios de elegibilidade. As evidências sugerem que exercícios descalços podem melhorar a propriocepção e o feedback sensorial, aumentar a ativação de músculos estabilizadores do pé e tornozelo, e alterar a distribuição da carga entre as articulações dos membros inferiores, com maior ênfase nos músculos do quadril e menor estresse no joelho. No entanto, também foram identificados potenciais malefícios, incluindo alterações na cinemática do movimento, possível redução da estabilidade em algumas direções, especialmente médio-lateral, e aumento do risco de lesões por sobrecarga nas estruturas do pé e tornozelo. A qualidade metodológica dos estudos variou de baixa a alta, com heterogeneidade considerável nos métodos de avaliação e populações estudadas. Conclusão: A prática de exercícios de musculação descalço apresenta tanto benefícios quanto riscos potenciais. A decisão de realizar agachamento e afundo descalço deve ser individualizada, considerando os objetivos de treinamento, histórico de lesões e preferências pessoais. Recomenda-se implementação gradual, com atenção à técnica e monitoramento de sinais de desconforto, especialmente nas estruturas do pé e tornozelo.