ACHADOS MICROSCÓPICOS DA CINOMOSE CANINA: RELATO DE CASO

Autores/as

  • José Mykael da Silva Santos Autor/a
  • Valeria Araújo Vilar Autor/a
  • Paulo Leite Ferreira Neto Autor/a
  • Laura Honório de Oliveira Tolentino Autor/a

DOI:

https://doi.org/10.56238/MultiCientifica-020

Palabras clave:

Cães, Inclusão Viral, Microscopia Óptica

Resumen

INTRODUÇÃO: Trata-se de uma enfermidade infectocontagiosa de origem viral provocada pelo Canine Distemper Virus (CDV), que afeta indivíduos como os cães domésticos e selvagens, Ursidae, mamíferos aquáticos, e, ocasionais, grandes felídeos e já foi relatada em porcos cateto (Gámiz et al., 2011). É uma doença viral multissistêmica que afeta principalmente os sistemas respiratório, gastrointestinal e nervoso central em cães e a apresentação clínica é variável, o que dificulta o diagnóstico apenas com base nos sinais clínicos observados (Brugni et al., 2024). Do ponto de vista hematológico, é comum a ocorrência de linfopenia, trombocitopenia e anemia regenerativa. A identificação de corpúsculos de Lentz - inclusões virais intracitoplasmáticas e/ou intranucleares características - em esfregaços sanguíneos representa um achado indicativo da presença do agente etiológico, contribuindo para a confirmação diagnóstica (Gamon et al., 2013). OBJETIVO: Relatar os achados microscópicos da cinomose canina em um cão atendido na Unidade Veterinária de Ensino Hospitalar (HVET) no Centro Universitário de Patos – UNIFIP. RELATO DE CASO: Um canino, SRD, fêmea, não castrada, com 1 ano e 6 meses de idade, pesando 10,3 kg e sem histórico vacinal, foi levada a Unidade Veterinária de Ensino Hospitalar (HVET) no Centro Universitário de Patos – UNIFIP com quadro de tosse seca. O animal era domiciliado, porém costumava frequentar o sítio aos finais de semana. Após uma dessas visitas, o tutor notou rigidez nos membros pélvicos, embora a cadela mantivesse o apetite preservado, sendo alimentada com ração, frango e fígado. Não apresentava histórico prévio de doenças, mioclonias ou alterações comportamentais importantes, mas foi observado lacrimejamento excessivo nos olhos. Ao exame físico, verificou-se aumento de volume nos linfonodos submandibulares, com mucosas oral e conjuntival normocoradas. Não foram observadas alterações na cavidade oral, como presença de tártaro ou sinais de gengivite. A palpação abdominal não revelou dor ou alterações nos órgãos abdominais, como fígado e baço. Os sinais vitais estavam dentro de limites fisiológicos para a espécie, exceto pela temperatura corporal levemente elevada (39,7 ºC). O tempo de preenchimento capilar (TPC) foi de 1s, a frequência cardíaca de 120bpm e a respiratória de 60mpm. Durante a auscultação pulmonar, notou-se crepitação bilateral associada à dispneia. Diante do quadro clínico, foi instituída antibioticoterapia com doxiciclina (5 mg/kg) por 21 dias e terapia anti-inflamatória com prednisolona (0,5 mg/kg) por 10 dias consecutivos. Também foi incluído o suplemento imunomodulador Organew. Considerando a suspeita clínica de cinomose canina, foi prescrita uma formulação manipulada contendo ribavirina (30 mg), DMSO (20 mg), vitamina A (10.000 UI), vitamina E (10 mg), famotidina (1 mg) e veículo q.s.p. 0,2 mL por dose. O total manipulado foi de 70 mL, com administração de 1,2 mL a cada 24 horas por 20 dias. Apesar da abordagem terapêutica instaurada, a cadela apresentou piora progressiva do quadro clínico, evoluindo para manifestações neurológicas, como convulsões, e, posteriormente, óbito. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Na microscopia foi encontrado o corpúsculo de Lentz, que é um achado patognomônico da cinomose caracterizado por uma inclusão eosinofílica intracitoplasmática, nos mais diversos tipos celulares. No presente trabalho, a inclusão encontrava-se no interior do citoplasma de neutrófilos e linfócitos. O método de coloração utilizado foi o panótico rápido e a visualização foi em miscroscopia óptica no aumento de 100x com imersão. Os achados corroboraram com os achados clínicos da cinomose e o avanço temporal da doença (Silva et al., 2017). Em alguns campos as hemácias aparecerem formando um discreto rouleaux eritrocitário, que é outra alteração microscópica que merece destaque, pois mesmo não sendo patognomônico da cinomose, indica um estado inflamatório decorrente de infecção. CONCLUSÃO: A microscopia pode auxiliar de maneira conclusiva na elucidação das patologias. Sendo assim, com a presença do corpúsculo de Lentz pôde-se concluir com exatidão o diagnóstico de cinomose.

Publicado

2025-11-17

Cómo citar

Santos, J. M. da S. ., Vilar, V. A. ., Ferreira Neto, P. L. ., & Tolentino, L. H. de O. . (2025). ACHADOS MICROSCÓPICOS DA CINOMOSE CANINA: RELATO DE CASO. Anais Eventos. https://doi.org/10.56238/MultiCientifica-020