ORIENTAÇÕES À PESQUISA NO PPGTU/PUCPR
DOI:
https://doi.org/10.56238/CONEDUCA-135Palavras-chave:
Ciência Urbanística, Gestão Urbana, Formação stricto sensuResumo
Visando à minimização da problemática derivada de dilemas na elaboração de investigações em nível stricto sensu, este texto tem como objetivo relatar uma experiência de orientações à pesquisa em disciplina ministrada no Programa de Pós-Graduação em Gestão Urbana (PPGTU) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). A partir de procedimentos de revisão de fontes secundárias, a organização disciplinar aborda inicialmente o tópico de diferenciação entre dissertação de mestrado e tese de doutorado. Apesar de ambas consistirem em trabalhos acadêmicos elaborados sob a orientação de pesquisador com título de doutor, a primeira é normalmente resultante de estudo experimental ou de exame retrospectivo, com os intuitos precípuos de reunir e interpretar informações. Não obstante a necessidade de demonstração de domínio teorético e processual, não há obrigatoriedade de ineditismo. Por sua vez, para a segunda é exigida a sua contribuição original à área de conhecimento. Além disso, deve ter aprofundamento temático, consistência teórica e rigor metodológico (ABNT, 2011[2005]; 2025[2011]). Na sequência, é detalhado o tópico de cinco atributos qualitativos. O primeiro, relativo ao tema, é direcionado à originalidade, responsável por avanços na ciência (Culbert; Kenett; Mayr, 2025), ao passo que o segundo, componente teórico, é orientado à relevância dos resultados para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural e social, dentre outros campos, basilar para a legitimidade epistemológica (Longo; Viola; Volpe, 2025). O terceiro, vinculado à metodologia, é apoiado em precisão, robustez, reprodutibilidade e profundidade analítica (Hammarström, 2025), enquanto o quarto é relacionado com a estrutura do documento, referente à sua organização, redação e apresentação do texto, inclusive sujeita aos novos desafios tecnológicos da contemporaneidade (Granjeiro et al., 2025); inovação e interdisciplinaridade, essencial para a resolução de questões complexas (Cheng; Xue, 2025). O último quesito diz respeito aos impactos de produtos derivados da investigação, notadamente publicações e seus benefícios de difusão de saberes (Baldock, 2025). O decurso desses assuntos é permeado por considerações específicas, dentre as quais cabe destaque à ética em pesquisa, com seu planejamento conduzido a partir de análise sistemática de riscos e benefícios, por meio da definição clara de critérios de inclusão e exclusão de informações e participantes, bem como da antecipação de questões associadas ao uso de dados sensíveis ou aos impactos sociais do estudo. O consentimento livre e esclarecido deve ser garantido por linguagem acessível, com proteção da privacidade, recorrendo, quando cabível, a protocolos de segurança. A transparência e abertura constituem pilares fundamentais, incluindo a publicação de resultados negativos ou inconclusivos para redução de vieses interpretativos. A integridade científica deve ser preservada pela rejeição de práticas questionáveis, como plágio, manipulação de dados, fragmentação indevida de resultados ou distorções estatísticas. Outro aspecto central é a busca por equidade e justiça, assegurando representatividade de grupos historicamente marginalizados, evitando exploração de populações vulneráveis e promovendo devolutivas às comunidades envolvidas. Em áreas emergentes, como o uso de inteligência artificial, é imprescindível a consideração de tendências algorítmicas, garantia de transparência sobre o emprego de ferramentas e delimitação de responsabilidades de autoria e de validação dos resultados, com governança ética contínua (Adjovi, 2025). Por fim, é exposto o questionamento se, no contexto de dissertações e teses, o conteúdo é mais importante que a forma, ou vice-versa. As discussões encaminham à conclusão de que ambos são relevantes, pois o corpus investigativo deve ser adequadamente desenvolvido e devidamente comunicado para que a pesquisa produza os avanços almejados na ciência urbanística.