EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA E CURRÍCULO DECOLONIAL: CAMINHOS PARA A DIGNIDADE E OS DIREITOS HUMANOS
DOI:
https://doi.org/10.56238/CONEDUCA-102Palavras-chave:
Educação Antirracista, Currículo, Interculturalidade, Direitos Humanos, DecolonialidadeResumo
A educação antirracista afirma-se, no contexto brasileiro, como uma exigência ética, política e pedagógica diante da persistência do racismo estrutural e das desigualdades que atravessam a escola e a sociedade. Quando pensamos o currículo como espaço de produção de sentidos e de disputas simbólicas, compreendemos que ele pode tanto silenciar quanto visibilizar histórias, saberes e identidades de populações historicamente marginalizadas. Desse modo, ao assumirmos uma perspectiva decolonial e intercultural, defendemos uma educação que reconhece a centralidade das relações étnico-raciais na formação humana, problematiza o legado da colonização e busca superar práticas monoculturais que naturalizam a branquitude como referência universal. O objetivo deste estudo é demonstrar como a educação antirracista pode ser incorporada ao currículo escolar de forma crítica, decolonial e intercultural, evidenciando suas implicações para a formação docente, para as práticas pedagógicas e para a promoção da igualdade racial. A metodologia adotada baseou-se em uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, elaborada a partir das contribuições dos estudos de Oliveira e Candau (2010), Ferreira (2012), Silva (2023) e Uchôa, Chaves e Pereira (2021). A partir a partir da contribuição dos autores, compreendemos que a educação antirracista implica explicitar e enfrentar o racismo nas suas dimensões individual, institucional e estrutural, articulando o trabalho pedagógico ao reconhecimento das diferenças e à luta por igualdade de oportunidades. Os estudos analisados indicam que é necessário reorganizar o currículo, as práticas de sala de aula e a formação docente de modo que as vozes, saberes e experiências dos sujeitos racializados sejam tomadas como centrais e não periféricas. Conclui-se que a educação antirracista se concretiza como prática de liberdade, ao favorecer o empoderamento de crianças, jovens e adultos negros, ampliar a consciência crítica de todos os estudantes e promover relações mais justas, dialógicas e solidárias. Reafirmamos, assim, que uma proposta educativa comprometida com a dignidade humana precisa enfrentar o racismo como violação de direitos e assumir a interculturalidade crítica como caminho para a construção de uma sociedade democrática, plural e verdadeiramente inclusiva.