RECONSTRUÇÃO DA PAREDE TORÁCICA POR COMPLICAÇÕES DO ESTERNO EM CIRURGIA CARDIOVASCULAR: REVISÃO SISTEMÁTICA
DOI:
https://doi.org/10.56238/MedCientifica-078Palavras-chave:
Mediastinite, Osteomielite do Esterno, Deiscência de Sutura Esternal, Retalhos Cirúrgicos, Músculo Peitoral Maior, Músculo Reto Abdominal, Cirurgia Cardíaca, Esternotomia MedianaResumo
Introdução: A deiscência de sutura esternal representa uma complicação grave após cirurgia cardíaca, com incidência variando entre 0,5% a 5% dos procedimentos que envolvem esternotomia mediana. Esta condição está associada a elevadas taxas de morbidade e mortalidade, exigindo frequentemente intervenção cirúrgica reconstrutiva. Os retalhos musculares, particularmente usando peitoral maior e reto abdominal, constituem opções terapêuticas fundamentais para o tratamento definitivo desta complicação. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática da literatura sobre o uso de retalhos musculares na reconstrução de deiscência de sutura mediastinal pós-cirurgia cardíaca, com ênfase nos retalhos de peitoral maior e reto abdominal, analisando indicações, técnicas cirúrgicas, resultados e complicações. Metodologia: Revisão sistemática da literatura nas bases de dados PubMed, MEDLINE, Scopus, Web of Science e LILACS, com base em artigos publicados entre os anos de 2010 e 2024. Foram selecionados estudos que abordam reconstrução de deiscência esternal com retalhos musculares, com foco em peitoral maior e reto abdominal. A análise incluiu dados sobre epidemiologia, fatores de risco, técnicas cirúrgicas, taxas de sucesso e complicações. Resultados: A literatura demonstra que os retalhos de peitoral maior apresentam taxas de sucesso entre 85-95%, sendo a primeira escolha para defeitos anteriores e laterais do mediastino. O retalho de reto abdominal, com taxas de sucesso de 80-92%, é indicado para defeitos extensos do terço inferior do esterno. Fatores de risco significativos incluem diabetes mellitus, obesidade, uso bilateral de artéria mamária interna, DPOC e infecção profunda. A mortalidade associada à mediastinite varia de 10% a 47% na literatura recente. Conclusão: Os retalhos de peitoral maior e reto abdominal são opções reconstrutivas eficazes e seguras para tratamento de deiscência de sutura esternal. A escolha do retalho deve considerar a localização e extensão do defeito, condições clínicas do paciente e experiência da equipe cirúrgica. A abordagem multidisciplinar e o tratamento precoce são fundamentais para redução da morbimortalidade. Um algoritmo de segurança sistematizado é proposto para otimizar o manejo desta complicação.