PARACENTESE DE ALÍVIO EM PACIENTES HEPATOPATAS: AVALIAÇÃO DOS BENEFÍCIOS E POTENCIAIS MALEFÍCIOS
DOI:
https://doi.org/10.56238/MedCientifica-062Palavras-chave:
Ascite, Cirrose Hepática, Paracentese, AlbuminaResumo
Introdução: A ascite é uma das complicações mais frequentes da cirrose hepática, estando associada a pior prognóstico e redução da qualidade de vida. Em casos de ascite tensa, a paracentese de alívio é amplamente utilizada como procedimento terapêutico para remoção de grande volume de líquido peritoneal. Embora proporcione melhora imediata dos sintomas respiratórios, abdominais e hemodinâmicos, o procedimento não é isento de riscos, incluindo hipotensão, disfunção circulatória pós-paracentese e maior predisposição à insuficiência renal quando não realizado de forma adequada. Nesse contexto, compreender o equilíbrio entre benefícios e potenciais malefícios torna-se fundamental para a tomada de decisão clínica. Objetivo: Considerando a relevância da ascite no curso clínico da hepatopatia avançada, este estudo tem como objetivo analisar os benefícios e possíveis malefícios da paracentese de alívio, discutindo sua indicação, segurança e impacto na evolução dos pacientes cirróticos. Metodologia: O trabalho foi desenvolvido por meio de revisão integrativa da literatura, com buscas nas bases SciELO e PubMed. Foram utilizadas as palavras-chave: “Paracentese”, “Ascite” e “Cirrose Hepática”. Foram incluídos artigos publicados a partir de 2015 que abordassem diretamente paracentese de grande volume e suas repercussões clínicas. Excluíram-se estudos sem dados quantitativos ou que tratavam de paracenteses diagnósticas. Após a triagem, foram selecionados 9 artigos publicados entre 2018 e 2024 para a elaboração deste resumo. Resultados: A literatura demonstra que a paracentese de alívio proporciona melhora imediata da dispneia, dor abdominal e intolerância alimentar, favorecendo mobilidade e qualidade de vida. É considerada segura quando realizada com reposição de albumina em paracenteses maiores que 5 litros, reduzindo significativamente o risco de disfunção circulatória pós-procedimento. Entretanto, estudos relatam efeitos adversos como hipotensão transitória, distúrbios hidroeletrolíticos e aumento do risco de insuficiência renal em pacientes com função hepática avançadamente comprometida. Comparativamente, os benefícios são mais evidentes nos casos de ascite tensa, enquanto os malefícios tornam-se mais relevantes na ausência de reposição volêmica adequada ou em pacientes com síndrome hepatorrenal já instalada. Conclusão: Conclui-se que a paracentese de alívio representa uma intervenção eficaz e segura quando realizada conforme recomendações clínicas, sobretudo com reposição de albumina. Seus benefícios superam os riscos na maioria dos pacientes com ascite volumosa, porém a avaliação individualizada permanece essencial para evitar complicações.